Perfil

Marília Campos nasceu em Ouro Branco (MG) no dia 14 de setembro de 1961. Filha de Sebastião de Oliveira Campos e de dona Silvia Elias Campos, é psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Casada com o economista José Prata de Araújo, tem três filhos: Natália, Pedro e Vinícius. Mora no bairro Eldorado, em Contagem (MG) desde 1986.

História política

1990_chapa_cut_marilia1.jpgEm Uberlândia, cidade para onde sua família se mudou na década de 1980, Marília ingressou no extinto Banco de Crédito Real de Minas Gerais e na universidade. Nesses ambientes, viu despertar sua paixão pela política. Iniciou a militância social como integrante do movimento estudantil e foi uma das fundadoras do PT e da CUT na região. Em 1983, mudou-se para Belo Horizonte, onde passou a participar do movimento sindical da capital mineira, emergindo como uma das lideranças das greves da categoria bancária. Chegou à presidência do Sindicato dos Bancários, cargo que exerceu por dois mandatos: 1990 e 1995.

Sua carreira em eleições partidárias começou em 1996. Já moradora de Contagem, candidatou-se à prefeitura conquistando a terceira colocação com 18% dos votos válidos. Em 1998, foi candidata a deputada estadual e ficou na terceira suplência. Conquistou seu primeiro mandato em 2000, ao ser eleita a vereadora mais votada do PT em Contagem com 3.463 votos. Em 2002, elegeu-se deputada estadual com mais de 45,6 mil votos, 28 mil deles recebidos em Contagem.

Em 2005, Marília renunciou na Assembleia para tomar posse no cargo de prefeita na cidade que escolheu para viver. Marília fez uma campanha propositiva, marcada por grandes e coloridas manifestações de rua, visitando os bairros com um jipe vermelho, que acabou se tornando um dos símbolos da campanha. 

Foi eleita prefeita com 120,6 mil votos válidos no primeiro turno e 183,5 mil votos válidos no segundo. Tornou-se a primeira mulher a governar Contagem. Em 2008, foi reconduzida para um segundo mandato, com 43,87% dos votos válidos (132,1 mil) no primeiro turno e 56,88% (174 mil) no segundo, voltando a fazer história como a primeira ocupante do Palácio do Registro a conseguir a reeleição, credenciando-se a ficar nos anais do município como a “Prefeita do Centenário”, já que Contagem completaria 100 anos de emancipação política durantes seu segundo mandato.

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Marília deixou a Prefeitura de Contagem com mais de 80% de aprovação popular. Em 2014, voltou a disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa e foi eleita deputada estadual com 78,9 mil votos. Mais de 61 mil são oriundos da cidade que administrou. A petista se tornou a deputada estadual mais votada da história da cidade. Na Assembleia, assumiu a presidência da Comissão de Participação Popular e integra ainda as comissões de Meio Ambiente e Extraordinária das Mulheres. É suplente na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Marília tem se notabilizado por fazer um mandato que combate privilégios, defende os direitos das minorias e luta pela qualidade de vida nas cidades de Minas.

Um modo republicano de fazer política

Marília tem a determinação como uma de suas marcas registradas, assim como se mostra uma aficionada pelo trabalho, além de ser fortemente comprometida com a modernização das formas de se fazer política no Brasil a partir de valores republicanos e um olhar especial para as populações mais pobres.

Mostrou isso, por exemplo, na Câmara dos Vereadores de Contagem e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde fez mandatos polêmicos, marcados pela defesa da transparência e moralidade no Legislativo. Marília rejeitou, tanto na Assembleia quanto na Câmara dos Vereadores de Contagem tudo aquilo que considerou privilégios: jetons, verba-paletó (14º e 15º salários), verbas por convocações extraordinárias, auxílio-moradia (ela mora em residência própria), diárias incorporadas ao salário, além de grande parte de verbas indenizatórias para passagens áreas e  manutenção de gabinete. Na Câmara Municipal, em dois anos, foram devolvidos R$ 63 mil e, na Assembleia, cerca de R$ 240 mil  em seu primeiro mandato de deputada estadual.

O trabalho de Marília como vereadora e deputada no início dos anos 2000 chegou a chamar a atenção do jornalista Elio Gaspari, conhecido por sua criticidade. “(Marília Campos) talvez seja a parlamentar que mais devolveu dinheiro à Viúva (cofres públicos) desde 1822, quando foi instituído no Brasil o Poder Legislativo. Em dois anos de mandato como vereadora em Contagem, devolveu R$ 63 mil. Nesse total estavam R$ 12 mil de verba paletó e R$ 9 mil de convocações extraordinárias. Em seis meses como deputada estadual, entregou ao Tesouro outros R$ 70 mil. Desse ervanário, R$ 21 mil referiam-se ao auxílio moradia e à verba paletó. Chama-se verba paletó o dinheiro que os legisladores recebem para comprar roupa, consertar os óculos ou engraxar os sapatos”.

É de autoria de Marília o projeto de lei PL 1127 2003, aprovado e sancionado na forma da Lei Estadual 15.297/2004 que estabelece critérios para oferta e aceitação de presentes por autoridades públicas e agentes políticos. Hoje, em muitas casas legislativas no país e, inclusive na de Minas Gerais e no Congresso Federal, foram extintos privilégios como o 14º e o 15º salários, entre outros. Marília foi uma precursora dessas realizações e conquistas.

Na Prefeitura de Contagem, o esforço de moralização da prática política teve continuidade, em novo patamar. Entre outras medidas, como prefeita, Marília colocou fim ao nepotismo, nunca contratou parentes para sua administração, reduziu seu próprio salário, do vice-prefeito e dos secretários e modernizou a administração através da adoção de concursos públicos e outros processos seletivos, além de profissionalizar a prestação de serviços públicos. 

Como parte desse esforço, Marília adotou uma forte política de transparência administrativa e moralização da gestão através do portal da prefeitura na internet, da prestação de contas através do jornal “Prefeitura Faz”, entregue de casa em casa, da publicação diária do “Diário Oficial” na versão eletrônica e de outros meios de comunicação.

Eficiência na promoção do desenvolvimento econômico e humano

Além das iniciativas voltadas para a moralização no uso da coisa pública, Marília construiu um amplo histórico de realizações destinadas à promoção do desenvolvimento econômico do Estado e da renovação dos valores culturais, especialmente a partir de suas gestões como prefeita de Contagem.

Na Assembleia, entre seus projetos de lei que foram transformados em lei, está o que consolida a legislação estadual que dispõe sobre o Programa de Fomento ao Desenvolvimento das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte de Minas Gerais (Programa Microgerais, de fomento à economia popular, Lei 15219/2004, posteriormente transformado no Simples Minas); o que cria o Projeto Mineiro de Incubadoras de Empresas (PMIE, Lei 15398/2004) e a lei que estabelece a reserva de vagas para portadores de deficiências na UEMG (Lei 15259/2004).

Foi na Prefeitura de Contagem que Marília pode colocar suas convicções progressistas mais efetivamente em prática. Em oito anos de governo, Marília Campos mudou a agenda política da cidade e rompeu com quase 20 anos de estagnação e de decadência municipal por meio de grandes investimentos em infraestrutura: saneamento e urbanização, pavimentação, programas de habitação, construção de escolas infantis e de unidades de saúde, trânsito, requalificação de espaços públicos, entre outros.

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As obras e as políticas sociais da prefeitura chegaram à cidade toda, sem discriminar nenhuma região. Ao fim de sua gestão, em 2012, o montante de investimentos na cidade somava, aproximadamente, R$ 1,4 bilhão após dois mandatos. Isso contribuiu para que Contagem voltasse a ser uma terra de oportunidades, com mais desenvolvimento econômico e geração de emprego e renda. Durante suas gestões, Contagem alcançou a condição de 25ª maior economia municipal do país, superior a muitas capitais e o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais. 

Um jeito diferente e melhor de fazer política com participação 

Convicta dos benefícios do protagonismo popular e da importância estratégia das parcerias, em seus mandatos Marília tem escancarado os espaços para o diálogo. No Poder Legislativo, fez isso por meio da criação dos conselhos políticos dos mandatos, reuniões, plenárias e um contato permanente com os movimentos sociais. Na Prefeitura de Contagem, inaugurou um inédito processo de participação popular através do Orçamento Participativo, da revitalização dos conselhos e conferências, além de reuniões periódicas com a comunidade.

Esse chamado à corresponsabilidade sempre incluiu lideranças de outros partidos que pudessem somar forças em torno de um objetivo comum, sem sectarismos e sem abrir mão da franqueza e das diferenças de opinião. A retomada dos investimentos em Contagem, por exemplo, não teria sido possível sem o forte apoio dos governos federal e estadual, outras prefeituras da Região Metropolitana de Belo Horizonte, empresários, e parlamentares de diversos partidos que destinaram recursos orçamentários, a pedido de Marília, para a cidade.

Prêmios e reconhecimento

Ao longo de sua trajetória, Marília Campos foi agraciada com diversos prêmios nacionais, especialmente no período de oito anos em que esteve à frente da Prefeitura de Contagem, em reconhecimento à sua capacidade de liderar equipes e apoiar projetos de interesse social. Entre eles, destacam-se o Selo Cidade Cidadã, recebido em 2009 e 2010; o Prêmio Objetivos do Milênio 2010; o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor 2009/2010; o Prêmio Josué de Castro e o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade.

O maior orgulho de Marília, todavia, é ter deixado o Prefeitura de Contagem contando ampla aprovação dos moradores.