Marília Campos - Deputada Estadual - 6.Inflação. Inflação média anual (IPCA): FHC, 9,24%; Lula, 5,79% e Dilma, 6,17%, os menores índices em 50 anos


6.Inflação. Inflação média anual (IPCA): FHC, 9,24%; Lula, 5,79% e Dilma, 6,17%, os menores índices em 50 anos

24/07/2015 | Brasil 1994/2014

Os dados das duas tabelas abaixo, comprovam que as taxas de inflação nos governos Lula e Dilma foram muito inferiores as do governo tucano de Fernando Henrique. E mostram também que os tucanos implantaram o sistema de metas de inflação em 1999, mas foram os governos Lula e Dilma que o praticou. 

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Vejamos o caso do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado - IPCA, índice oficial de inflação no Brasil. No governo de Fernando Henrique do PSDB, o índice médio foi de 9,24% e o acumulado de 100,60%; nos dois governos Lula o índice médio de inflação foi de 5,79% e o acumulado de 56,68%; e, no primeiro governo Dilma, a média de inflação foi de 6,17% e o índice acumulado chegou a 27,03%. 

O PSDB faz terrorismo com a inflação no Brasil. Os tucanos afirmam que os governos do PT têm sido “lenientes” com a inflação e que é preciso que a política econômica foque o centro da meta de inflação. Mentira. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, mostra que os governos Lula e Dilma têm as menores taxas de inflação dos últimos 50 anos no Brasil. 

Foram os governos Lula e Dilma que cumpriram as metas de inflação

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O PSDB implantou as metas de inflação em 1999. Este instrumento de política econômica busca manter a inflação sob controle, estabelecendo um centro desejado para a inflação com uma banda, com variações para cima e para baixo. Pois bem, as metas de inflação no governo tucano, de 1999 a 2002, estouraram duas vezes os limites superiores previstos. Ou seja, o PSDB cumpriu as metas de inflação em metade dos anos em seu governo. Nos governos Lula e Dilma, em 12 anos, as metas foram cumpridas em onze  deles e só estouraram o limite superior em 2003, quando a economia estava amplamente desorganizada devido à herança maldita dos tucanos. 

PSDB foi protagonista no Plano Real 

Uma questão que precisa ser melhor qualificada é a relação do PSDB com o Plano Real. É um erro não reconhecer um grande protagonismo do então presidente Itamar Franco na decisão política de implantar o Plano Real, como fazem os tucanos. Não adianta se ter uma proposta econômica senão tem uma liderança política com disposição de implementá-la. Itamar Franco sempre reclamou com razão de ter sido excluído da autoria do Plano Real. De outro lado é um erro também, de fato, não conferir um grande protagonismo ao PSDB, que através do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso e de sua equipe, foram os principais formuladores do Plano Real no governo Itamar Franco. 

O Brasil vivia em uma situação de hiperinflação, que estava destruindo a nossa economia. O IGP-DI de 1967 a 1994 atingiu o estratosférico percentual de 1.142.332.741.811.850% (um quatrilhão, 142 trilhões, 332 bilhões, 741 milhões, 811 mil e 850 por cento). Somente no ano de 1993, que antecedeu o Plano Real, o IPCA foi de 2.477,15%. Nos 21 anos do Plano Real permaneceu um importante resíduo inflacionário que atingiu 402,4%, o que, ainda assim, é uma enorme conquista em relação ao quadro anterior.

O que não podemos admitir é que o PSDB tente estabelecer uma polarização histórica com o PT, qualificando nosso partido de “leniente com a inflação”. Nos 20 anos do Plano Real, o PSDB governou oito anos e o PT doze anos. Os dados estão à disposição dos leitores: a inflação ao longo do Plano Real foi bem menor nos governos do PT do que no governo FHC. Esta polarização dos tucanos não tem o menor sentido. 

Os tucanos tentam resgatar a única bandeira popular de sua história: o combate à inflação. Esta bandeira garantiu ao PSDB dois governos na presidência da República. Mas os tucanos perderam porque não avançaram muito para além da queda da inflação. Não avançaram na redução da vulnerabilidade de nossa economia, que acabou quebrando o Brasil três vezes ao longo do governo FHC. Não mostraram serviço na área fiscal, tendo dobrado a dívida pública enquanto percentual do PIB. Não distribuíram renda e nem constituíram um mercado interno de massas. Sacrificaram as regras democráticas, ao aprovarem  a reeleição através de procedimentos ilegais. 

Autoria: A série “Brasil 1994/2014” é de autoria de José Prata Araújo, economista mineiro. Veja outros posts da série no site www.mariliacampos.com.br, seção “Brasil 1994/2014”.
 
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