Emir Sader: “Luiz Inácio Lula do Brasil – com ele ou com ele”

10/04/2018 | Política

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Brasil 247 – 09/04/2018

Há biografias que são histórias particulares. Há outras, que são cósmicas – como disse Hegel – porque espelham em si a história de um país, a história de uma época.

Nunca alguém se identificou e foi identificado tanto com o Brasil como Lula hoje. Por sua trajetória individual, antes de tudo. De Garanhuns, filho de Dona Lindu, a maior estadista contemporâneo, a maior líder da esquerda mundial no século XXI.

Uma trajetória de milhões de brasileiros de criança nordestina, pobre, sem esperança a líder que fez renascer a esperança em todos os brasileiros. Um país não é uma nação, senão tiver que o represente, quem o personifique, quem expresse, nas suas palavras e nos seus atos, o sentido de ser um país.

Lula transformou o Brasil num projeto de sociedade justa, livre, solidária, soberana. O próprio nome do Brasil mudou de significado no mundo. De pais mais desigual do mundo a pais que mais luta contra a desigualdade.

O Brasil antes do Lula dirigi-lo era um, depois passou a ser outro. Passou a representar esperança de que é possível criar um mundo melhor, que é possível garantir os direitos fundamentais de todos, que é possível, democraticamente, eleger governos que representem a grande maioria da população.

Lula não é mais uma pessoa, como ele disse, ele é uma ideia. É também uma ideia de Brasil. Ninguém como ele representa o Brasil. Não se identificar com o Lula hoje é não se identificar com o Brasil.

Hoje Lula se tornou indispensável para o Brasil, para o seu povo, para sua democracia. Não há futuro positivo sem a participação ativa, como dirigente, do Lula. O paradoxo é que a pessoa mais importante para o presente e o futuro do Brasil, foi condenado sem provas, preso e encarcerado. Como se se pretendesse que o presente e o futuro do Brasil pudesse caber em celas, em prisões.

Com Lula ou com Lula. Não adianta pensar alternativas. É tão brutal a ofensiva da direita, que ele dois anos depôs uma presidenta reeleita pelo povo e prende ao maior líder da historia do pais. Precisamos contar com todas as nossas forças para reverter uma ofensiva tão gigantesca. Ninguém mais tem capacidade de reunir todas as forças que necessitamos e lhe dar a condução necessária para derrubar esse regime de exceção.

Nenhuma outra pessoa tem essa capacidade de unificar, de mobilizar as mais amplas camadas da população, de apresentar alternativas concretas para o Brasil, de receber os apoios internacionais necessários, de dialogar com todos os setores da sociedade, de compor governo com capacidade de retomar o modelo que deu certo no Brasil. Todos podem e devem contribuir, mas a condução do Lula é indispensável.

A direita sabe disso. Ficou apavorada com as Caravanas. Dai a ofensiva final para tirar o Lula da cena política, para impedir que ele siga falando para o povo, ouvindo o povo, mobilizando o povo, fazendo com que o povo recupere suas esperanças, projetando um futuro diferente, melhor para o país.

O regime de exceção se defende com garras e dentes e sabe que tem em Lula seu inimigo fundamental, o único líder capaz de restabelecer a democracia no Brasil hoje. Por isso a sanha com que o atacam.

Para a esquerda, para as forças democráticas, hoje, não há outro caminho senão lutar pela liberdade do Lula, pelo direito dele ser candidato e pela sua eleição. Todas as forcas e lideranças democráticas dependem do nosso sucesso nessa luta. Seu lugar no futuro do Brasil depende da recuperação da democracia e hoje o único capaz de reconduzir o pais nesse caminho é o Lula. Por isso, com o Lula ou com o Lula.

Emir Sader é sociólogo e cientista político.